Jair Bolsonaro se declara católico, mas seu casamento religioso com Michelle não ocorreu na forma tradicional do matrimônio católico.
À luz da doutrina da Igreja, um católico que vive maritalmente sem o sacramento do matrimônio se encontra, em tese, em situação matrimonial irregular, o que normalmente o impede de comungar e o convida a buscar a regularização da vida sacramental.
No entanto, a própria Igreja reconhece que há situações que não são públicas: podem existir processos de nulidade de uniões anteriores, convalidação do matrimônio atual ou orientações pastorais no foro interno que não chegam ao conhecimento geral.
Por isso, embora a norma geral seja clara quanto à exigência do matrimônio sacramental para a plena vida eucarística, não é possível afirmar com certeza a situação pessoal e concreta de Bolsonaro diante da Igreja, já que eventuais regularizações podem ter ocorrido sem divulgação pública.
Assim, permanece válido o princípio doutrinário, mas o julgamento do caso particular cabe à Igreja e ao foro de consciência, e não ao juízo público.