Para Nietzsche, o ressentido tende a inverter valores: aquilo que ele não consegue alcançar passa a ser reinterpretado como algo negativo.
Em vez de dizer “ele é extraordinário”, a reação passa a ser “ele é arrogante”, “é mimado”, “é superestimado”. A crítica pode até ter elementos legítimos, mas no ressentimento ela nasce de uma reação emocional à superioridade percebida.
Nietzsche descreveu esse mecanismo principalmente em obras como A Genealogia da Moral e Assim Falou Zaratustra. Ali ele explica que o ressentimento é típico daquilo que chamou de moral reativa: em vez de criar valores, o indivíduo define o bem e o mal reagindo contra alguém que ele percebe como mais forte.
Nesse sentido, algumas críticas a figuras extremamente bem-sucedidas podem conter uma parcela de ressentimento. Não significa que toda crítica seja inveja — isso seria simplista —, mas Nietzsche diria que muitas vezes o ódio intenso a alguém que se destaca revela mais sobre quem critica do que sobre o criticado.
Curiosamente, Nietzsche também observaria outro detalhe: figuras muito afirmativas costumam provocar ressentimento justamente porque se destacam demais. Quanto mais alguém simboliza sucesso, talento ou liberdade, maior tende a ser a reação dos que se sentem diminuídos por comparação.